Preço do querosene de aviação salta quase 50% para empresas no Brasil, apontam dados da Qive

Levantamento analisou mais de 17 milhões de notas fiscais e mostrou que o mercado B2B reduziu compras de combustíveis em até 63% pela escalada dos custos; combustíveis usados em logística e transporte são os mais afetados

Daniel Paschino, CFO da  Qive. Créditos: Rafael Arbex

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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura mais de quatro meses, e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz — rota responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial, segundo a EIA (U.S. Energy Information Administration) — parecem causar impacto direto no bolso das empresas brasileiras. De acordo com dados levantados pela Qive, plataforma líder do contas a pagar,  entre 2024 e 2026, o querosene de aviação teve o maior reajuste de preço, que disparou 49,8%, saltando de R$ 5,66 para R$ 8,48 o litro. Uma simulação do estudo aponta que, caso o volume de 2025 tivesse sido mantido com os preços de pico de 2026, o custo adicional seria de R$ 7,8 bilhões para o setor aéreo. Com isso, o mercado B2B reduziu compras de combustíveis em até 63%.

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Foram analisadas 17,7 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) responsáveis por movimentar R$ 386,4 bilhões, dos seguintes produtos: gasolina automotiva e de aviação, gás de cozinha (GLP), querosene de aviação (QAV), óleo combustível (fuel-oil), óleo diesel (gasóleo), etanol anidro e etanol hidratado. O levantamento comparou os picos de preços de 2025 com as máximas de 2026 e constatou que o setor de transporte e logística foi o mais atingido. 

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“Os dados sugerem que as empresas optaram por uma tática de contenção imediata, freando as compras na esperança de um conflito de curta duração. Para times financeiros, isso sinaliza a importância de monitorar o cenário geopolítico, a exposição a insumos voláteis, e manter estoques calibrados, garantindo apenas a margem de segurança para evitar interrupção das atividades, sem imobilizar recursos em insumos caros. Em cenários de alta prolongada, firmar contratos longos no pico é um risco que pode ser evitado com mais inteligência sobre os próprios dados de compra”, orienta Daniel Paschino, CFO da Qive. 

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Além da aviação, outro impacto de custo está no óleo combustível (fuel-oil), essencial para o transporte marítimo, com alta de 34,5% (de R$ 5,17 para R$ 6,95 o quilo). Em seguida vem o óleo diesel, que subiu 14,4%, chegando a R$ 7,15 o litro na máxima de 2026. Já o gás de cozinha (GLP) sentiu o choque de forma mais contida, com leve aumento de 1,3% no ambiente corporativo.


O levantamento ainda mostra que, nos cinco primeiros meses de 2026, houve uma contração média de 11,5% no volume movimentado na maior parte dos insumos. A quantidade comprada de querosene de aviação, por exemplo, despencou 62,6%. A grande exceção foi a gasolina de aviação, com reajuste de 30,8% no total consumido.

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“Quando um insumo encarece muito mais do que seu substituto, as empresas tendem a migrar. Os dados sugerem que parte do mercado corporativo fez exatamente isso: reduziu a exposição ao combustível mais caro e deslocou demanda para alternativas mais acessíveis. Isso revela algo importante: quando os dados de documentos fiscais são lidos em conjunto, os padrões de comportamento B2B aparecem antes de qualquer pesquisa de mercado.”, complementa Daniel.

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Sobre a Qive

A Qive, plataforma líder do contas a pagar, integra e automatiza, em um único fluxo conectado ao ERP, a gestão de pagamentos, documentos e fornecedores, oferecendo eficiência, segurança e escalabilidade. Antes Arquivei, foi fundada em 2014 em São Carlos, interior de São Paulo, com a missão de centralizar, organizar e automatizar documentos fiscais. Em 2021, recebeu um aporte de R$260 milhões em rodada Série B liderada pela Riverwood Capital. Em 2024, após um rebranding da marca, se tornou Qive e avançou para a área financeira e de pagamentos, com uma solução que garante inteligência analítica para a tomada de decisões e processos seguros, ao eliminar riscos e custos em ambientes complexos. Atualmente, a empresa processa R$3 trilhões em notas eletrônicas anualmente e já gerenciou mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais nos últimos onze anos. A Qive tem mais de 300 colaboradores no Brasil e atende mais de 220 mil CNPJs no país, entre eles Faber-Castell, Casas Bahia e Kraft Heinz.

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