Boleto perde espaço no B2B, mas Pix não é o substituto; depósitos bancários lideram avanço
Levantamento com 236,6 milhões de pagamentos mostra crescimento do depósito bancário e do cartão corporativo, enquanto Pix ainda representa 2% das operações B2B
Enquanto o Pix se consolida como principal meio de pagamento no consumo individual (B2C), o mercado corporativo (B2B) segue uma dinâmica diferente: o boleto ainda lidera. Porém, o documento financeiro tem perdido espaço pouco a pouco, e não para o Pix. Quem mais avançou em participação nos pagamentos foi o depósito bancário, seguido pelo cartão de crédito corporativo. A transferência bancária cresceu em valor movimentado, mas não em número de operações. É o que mostra o novo capítulo do estudo Panorama de Contas a Pagar da Qive, plataforma líder de contas a pagar, que analisou 236,6 milhões de pagamentos B2B e R$ 3,3 trilhões movimentados em documentos fiscais eletrônicos. Entre 2025 (ano fechado) e o recorte de 2026, a participação do boleto caiu de 77,13% para 72,96% das operações, enquanto o depósito bancário passou de 4,63% para 6,8% e a transferência bancária manteve participação próxima de 5,4%.
Em valor financeiro o boleto passou de 73,74% para 70,42% do montante movimentado. Apesar da queda, o método continua concentrando mais de sete em cada dez pagamentos realizados entre empresas.
“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. A transferência bancária é prática, mas não traz o mesmo nível de lastro documental. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um. Nos outros métodos, fica o registro bancário e contábil, mas não necessariamente esse vínculo documental", afirma Christian de Cico, Co-CEO e Cofundador da Qive.
Depósito cresce em frequência, mas com pagamentos menores
Por este motivo, o espaço do boleto tem sido ocupado, principalmente, por meios de pagamentos mais tradicionais, como o depósito bancário. A operação passou de 4,63% para 6,8% dos pagamentos, um avanço de 2,17 pontos percentuais, considerado o maior crescimento entre os métodos analisados. Porém, embora tenha aumentado a participação nos pagamentos, o ticket médio para esta modalidade caiu 31,1%, de R$ 25.174 em 2025 para R$ 17.353 em 2026.
Já a transferência bancária apresentou comportamento diferente. A participação na frequência praticamente não mudou, passando de 5,45% para 5,40%, mas sua participação no valor movimentado subiu de 9,71% para 11,90%. O ticket médio aumentou 11,8%, de R$ 25.990 para R$ 29.063, e segue como o maior entre os métodos analisados.
Outro movimento observado pelo levantamento é a aproximação entre meios digitais. O cartão de crédito corporativo também ganhou participação, de 2,13% para 3,28%, uma alta de 1,15 ponto percentual. Só no perído analisado de2026, o cartão de crédito corporativo registrou 2,8 milhões de pagamentos, contra 1,7 milhão do Pix (62% mais operações).
O cartão passou a representar 3,28% dos pagamentos, enquanto o Pix chegou a 2,03%. Em valor, porém, o cenário é diferente: o Pix movimentou R$ 8,97 bilhões, contra R$ 4,62 bilhões do cartão. O ticket médio também ajuda a explicar a diferença: R$ 5.040 no Pix e R$ 1.605 no cartão.
Com a análise conseguimos perceber que o Pix ainda tem participação reduzida no universo B2B. Em 2025, representava 1,5% dos pagamentos e 0,45% do valor movimentado; em 2026, passou para 2,03% e 0,77%, respectivamente.“O dado registra o instrumento declarado na emissão da nota, e não necessariamente o trilho pelo qual o dinheiro saiu depois. Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados, o que ajuda a explicar a diferença entre a adoção que o mercado percebe e a participação que a gente mede aqui”, explica Christian.
A Qive ressalta que o campo analisado registra o instrumento de cobrança declarado na emissão da nota, e não necessariamente o meio pelo qual a liquidação financeira ocorreu posteriormente, tendo sido considerados os dados do período de janeiro a 15 de agosto de 2026, enquanto 2025 corresponde ao ano fechado.
Comportamento varia entre os setores
A predominância do boleto aparece também nos diferentes setores da economia. Em 2026, o método liderou a participação no montante movimentado nos 12 setores analisados, com percentuais que variam de 81,97% em Saúde e Farmacêutico a 51,16% no Agronegócio.
Há, porém, diferenças importantes na composição dos pagamentos. Em 2025, por exemplo, Serviços registrou 31,16% do montante pago por meio de transferência bancária, enquanto o Setor Público apresentou a maior participação de depósito bancário, com 24,19%.
Na comparação entre 2025 e 2026, o boleto perde participação no valor movimentado em cinco dos 12 setores e ganha em sete. Em frequência, o desenho se inverte: o boleto recua em oito setores. Tecnologia teve a maior retração, de 9 pontos percentuais, enquanto o Setor Público registrou o maior avanço, de 11,4 pontos. Em número de pagamentos, o boleto recua em oito dos 12 setores.
“Uma leitura mais compatível é a de complexidade operacional: cadeias com muitos fornecedores, compras reguladas e alta exigência documental tendem a favorecer um método que já oferece registro formal e conciliação padronizada. A diversificação pode acontecer, mas exige reconstruir controles que hoje estão muito apoiados no boleto”, finaliza o executivo.
Sobre a Metodologia do Estudo
O levantamento considera os pagamentos declarados no campo tPag de documentos fiscais eletrônicos emitidos entre empresas. O campo registra o instrumento de pagamento acordado na emissão da nota, e não necessariamente o meio pelo qual a liquidação ocorreu. A base reúne 148,8 milhões de pagamentos e R$2,17 trilhões em 2025, ano fechado, e 87,8 milhões de pagamentos e R$ 1,16 trilhão em 2026, de 1º de janeiro a 15 de agosto, em 12 setores classificados pelo CNAE do tomador. O recorte de 2026 não inclui o quarto trimestre; portanto, a comparação entre os períodos indica tendência, e não resultado anual fechado. Esta atualização dá sequência ao capítulo "Como as empresas compram e pagam no Brasil", publicado pela Qive em outubro de 2025, que analisou 315 milhões de notas fiscais e R$ 3,7 trilhões entre 2023 e setembro de 2025. O recorte anterior já apontava o boleto como principal meio de pagamento entre empresas e uma migração gradual para outros métodos, direção que os dados de 2025 e 2026 confirmam. Os percentuais de 2025 foram recalculados com o ano fechado e a metodologia atualizada.
Sobre a Qive:
A Qive, plataforma líder do contas a pagar, integra e automatiza, em um único fluxo conectado ao ERP, a gestão de pagamentos, documentos e fornecedores, oferecendo eficiência, segurança e escalabilidade. Antes Arquivei, foi fundada em 2014 em São Carlos, interior de São Paulo, com a missão de centralizar, organizar e automatizar documentos fiscais. Em 2021, recebeu um aporte de R$ 260 milhões em rodada Série B liderada pela Riverwood Capital. Em 2024, após um rebranding da marca, se tornou Qive e avançou para a área financeira e de pagamentos, com uma solução que garante inteligência analítica para a tomada de decisões e processos seguros, ao eliminar riscos e custos em ambientes complexos. Atualmente, a empresa processa R$ 3 trilhões em notas eletrônicas anualmente e já gerenciou mais de 6,8 bilhões de documentos fiscais desde 2014. A Qive tem mais de 300 colaboradores no Brasil e atende mais de 220 mil CNPJs no país, entre eles Faber-Castell, Casas Bahia e Kraft Heinz.







