Seis categorias concentram quase 50% dos gastos das empresas, mostra levantamento da Qive
- Combustíveis e derivados de petróleo; Veículos e autopeças; Máquinas e equipamentos mecânicos; Máquinas, aparelhos e materiais elétricos; Produtos farmacêuticos e Bebidas
- Estudo considerou 183,1 milhões de notas fiscais emitidas em 2025 que juntas representam R$ 1,6 trilhão em aquisições empresariais;
- Mercado corporativo brasileiro depende de poucos motores econômicos, mas opera sob diferentes lógicas de abastecimento;

Vitor de Araujo, cofundador e Head de AI Lab da Qive. crédito imagem: Victor Rocha
Dados do capítulo ‘O que as Empresas Compram no Brasil’, do Panorama do Contas a Pagar, levantamento da Qive, mostram forte concentração dos gastos nas compras corporativas no Brasil. Em 2025, 50,09% do valor transacionado entre empresas no país concentrou-se em seis categorias: Combustíveis e derivados de petróleo (R$ 233,8 bilhões), Veículos e autopeças (R$ 201,2 bilhões), Máquinas e equipamentos mecânicos (R$ 105,6 bilhões), Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (R$ 100 bilhões), Produtos farmacêuticos (R$ 82 bilhões) e Bebidas (R$ 78,8 bilhões). A análise considerou 183,1 milhões de notas fiscais emitidas em 2025, totalizando R$ 1,6 trilhão em transações mapeadas por 2,67 milhões de CNPJs. As categorias foram agrupadas com base nos capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Os números indicam que grande parte dos recursos do mercado corporativo sustenta infraestrutura e operação diária das empresas, com foco em logística, mobilidade, produção e abastecimento. “Combustíveis, veículos e máquinas refletem a dependência da economia em relação à logística, mobilidade e capacidade produtiva. Isso torna eficiência operacional e gestão financeira fatores estratégicos para o crescimento”, afirma Vitor de Araujo, cofundador e Head de AI Lab da Qive.
Peso financeiro x recorrência
A Qive analisou duas dimensões: o valor financeiro movimentado por categoria e a frequência de aparição nas notas fiscais ao longo de 2025. Enquanto a primeira métrica dimensiona o impacto econômico, a segunda revela as categorias presentes na rotina operacional.
Pelo recorte financeiro, as seis categorias citadas concentram quase 50% do total transacionado, com Combustíveis e derivados de petróleo liderando (R$ 233,8 bilhões). Já pelo recorte de frequência da base analisada, lidera Produtos farmacêuticos, com 23,34 milhões de documentos em 2025, seguidos por Veículos (12,77 milhões), Máquinas mecânicas (12,12 milhões), Bebidas (11,36 milhões), Máquinas e materiais elétricos (8,51 milhões) e Combustíveis (8,13 milhões). Ou seja, algumas categorias não lideram pelo maior valor por transação, mas pela alta recorrência operacional.
Crédito invisível e prontidão da cadeia
No mercado B2B brasileiro, abastecer é também financiar: 76,8% das notas avaliadas entre 2023 e 2025 tiveram pagamento a prazo, movimentando R$ 4,07 trilhões. O estudo aponta que essa rede interdependente pode ser impactada pela Reforma Tributária, já que mudanças como a transição dos créditos de PIS/Cofins para o novo modelo de IBS e CBS, além de mecanismos como o split payment, tendem a aumentar a necessidade de controle sobre documentos, prazos de apuração, fornecedores e créditos fiscais. Nesse contexto, a maturidade dos processos de compras, fiscal e financeiro passa a ser decisiva para preservar a fluidez dos negócios.
Varejo e Indústria: o principal corredor econômico
O capítulo evidencia que o principal fluxo econômico ocorre entre Varejo (comprador) e Indústria (vendedora), movimentando R$ 350 bilhões por ano. No total, o varejo foi o maior comprador, respondendo por R$ 766,16 bilhões (47,7% do volume financeiro), seguido pela indústria, com R$ 524,42 bilhões (32,6%). Na ponta vendedora, a indústria lidera com R$ 812,31 bilhões ofertados.
Contrastes por setor
O Panorama do Contas a Pagar detalha o padrão de abastecimento por segmentos. O varejo compra em larga escala para manter sortimento, já o setor de Energia concentra gastos em uma cesta mais enxuta: os combustíveis minerais representam quase 80% do valor movimentado.
Enquanto o Agronegócio, diversifica suas compras com adubos, produtos diversos da indústria química, combustíveis minerais e outros relacionados. Setores como Infraestrutura e Serviços destinam fatias significativas do orçamento a veículos e combustíveis, evidenciando dependência de mobilidade e operação logística.
“As compras por setor atendem às necessidades de cada operação no dia a dia. Mas, quando analisamos em escala, fica claro que a maturidade fiscal e financeira de uma empresa depende também da maturidade dos seus fornecedores. Com a chegada da Reforma Tributária, essa interdependência ganha um peso ainda maior ”, observa Vitor.
Recomendações estratégicas
Diante desse efeito multiplicador, a Qive recomenda que empresas tratem compras como uma frente estratégica de gestão, especialmente no contexto da Reforma Tributária. A eficiência passa por saber o que automatizar, o que supervisionar e como integrar dados de compras, fiscal, financeiro e contas a pagar para reduzir riscos, negociar preços e descontos, ganhar previsibilidade e manter controle sobre fornecedores, créditos e documentos do pedido ao pagamento.
“Entender o comportamento de compra das corporações deixa de ser apenas análise financeira e vira ferramenta estratégica de decisão. Eficiência, previsibilidade e capacidade de adaptação serão determinantes para a competitividade das empresas brasileiras nos próximos anos”, conclui Vitor de Araujo.
Sobre a Qive
A Qive, plataforma líder do contas a pagar, integra e automatiza, em um único fluxo conectado ao ERP, a gestão de pagamentos, documentos e fornecedores, oferecendo eficiência, segurança e escalabilidade. Antes Arquivei, foi fundada em 2014 em São Carlos, interior de São Paulo, com a missão de centralizar, organizar e automatizar documentos fiscais. Em 2021, recebeu um aporte de R$ 260 milhões em rodada Série B liderada pela Riverwood Capital. Em 2024, após um rebranding da marca, se tornou Qive e avançou para a área financeira e de pagamentos, com uma solução que garante inteligência analítica para a tomada de decisões e processos seguros, ao eliminar riscos e custos em ambientes complexos. Atualmente, a empresa processa R$ 3 trilhões em notas eletrônicas anualmente e já gerenciou mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais nos últimos onze anos. A Qive tem mais de 300 colaboradores no Brasil e atende mais de 220 mil CNPJs no país, entre eles Faber-Castell, Casas Bahia e Kraft Heinz.





