Com 33% das operações feitas com duplicata, agro terá de preparar o backoffice para nova fase da duplicata escritural
Daniel Paschino, CFO da Qive, explica como a digitalização da duplicata pode ampliar eficiência, rastreabilidade e prevenção a fraudes no setor.

Daniel Paschino, CFO da Qive. Créditos: Rafael Arbex
No agronegócio, grande parte das operações envolve compra de insumos, revenda e pagamentos parcelados. Com a duplicata escritural eletrônica, documento que registra dívida ou venda a prazo, o recebível passa a existir em um sistema eletrônico autorizado, ligado aos dados fiscais e com controle de titularidade, o que reduz erros, duplicidade e até fraudes no setor. Dados do Panorama do Contas a Pagar, estudo realizado pela Qive, empresa líder de automação do Contas a Pagar, revelam que o volume financeiro das notas fiscais movimentadas no setor é, em sua maioria, feita por crédito (65%); seguido da duplicata (33%), sendo que a duplicata também pode ser considerada um crédito, uma vez ela é um título a receber futuramente que pode ser descontado para ser recebido antecipadamente pelo credor.
Para o CFO da Qive, Daniel Paschino, essa mudança vai proporcionar mais liquidez, menor risco e mais organização operacional para o setor. “A duplicata escritural eletrônica vai beneficiar toda a cadeia envolvida, desde o produtor, o distribuidor e até o revendedor, já que será possível converter vendas a prazo em caixa com menos burocracia. Além disso, estamos falando de diminuição de margens para fraudes e falsificações com a escrituração eletrônica, e aumento da rastreabilidade. Por fim, a mudança vai acelerar a necessidade de integração com ERPs e registro digital para simplificar a gestão de recebíveis”, explica.
O cronograma regulatório do Banco Central será faseado. No segundo semestre deste ano, inicia-se o período de produção assistida, e partir de junho de 2027, a obrigatoriedade recai sobre empresas de grande porte; de dezembro de 2027 sobre médias e a partir de junho de 2028, pequenas.
Na prática, a mudança não se resume à digitalização da duplicata. Com a escrituração, o recebível passa a ter um lastro formal no momento do registro do crédito, o que amplia a rastreabilidade e reduz o risco de uma mesma duplicata ser negociada ou descontada indevidamente em mais de uma instituição.
Porém, Daniel explica que o ganho não será automático, já que as companhias de agronegócio vão precisar adaptar processos e sistemas. “Esse é um momento crucial para automatizar o backoffice desse setor, desde a gestão fiscal até a gestão financeira. Essas organizações vão precisar integrar pagamentos, aprovações, fluxo de caixa e ERP em um processo mais confiável, proporcionando controle de custos, evitando gargalos, com sustentação da operação”, completa.
O Panorama do Contas a Pagar mostra que o pagamento a prazo não é um desafio apenas do agronegócio. De acordo com os dados, 77% das operações no B2B são pagas nesse modelo. Com mais de 500 milhões de notas fiscais emitidas analisadas, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o levantamento mostra que, para as operações realizadas via boletos e duplicatas, 385 milhões de documentos emitidos no período tiveram intervalo entre a emissão e o pagamento superior a um dia, indicando um total de R$ 4,1 trilhões transacionados a prazo.
“O relógio já está correndo, e quanto antes o backoffice entender que o B2B brasileiro roda quase integralmente a prazo, e que a infraestrutura que suporta esse risco evoluiu, mais fácil para se antecipar na digitalização desses recebíveis”, finaliza Daniel.
Sobre a Qive
A Qive, plataforma líder do contas a pagar, integra e automatiza, em um único fluxo conectado ao ERP, a gestão de pagamentos, documentos e fornecedores, oferecendo eficiência, segurança e escalabilidade. Antes Arquivei, foi fundada em 2014 em São Carlos, interior de São Paulo, com a missão de centralizar, organizar e automatizar documentos fiscais. Em 2021, recebeu um aporte de R$ 260 milhões em rodada Série B liderada pela Riverwood Capital. Em 2024, após um rebranding da marca, se tornou Qive e avançou para a área financeira e de pagamentos, com uma solução que garante inteligência analítica para a tomada de decisões e processos seguros, ao eliminar riscos e custos em ambientes complexos. Atualmente, a empresa processa R$ 3 trilhões em notas eletrônicas anualmente e já gerenciou mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais nos últimos onze anos. A Qive tem mais de 300 colaboradores no Brasil e atende mais de 220 mil CNPJs no país, entre eles Faber-Castell, Casas Bahia e Kraft Heinz.






