Página inicial

/

Capítulo 2

Meios de pagamento B2B: como as empresas pagam no Brasil em 2026

Análise de 236,6 milhões de pagamentos e R$ 3,3 trilhões entre empresas mostra o boleto recuando de 77,13% para 72,96% dos pagamentos, o depósito bancário como o método que mais avançou e o cartão de crédito corporativo já à frente do Pix em frequência de uso. Continue a leitura para entender os dados e a visão de especialistas.

A análise de 236,6 milhões de pagamentos declarados em documentos fiscais eletrônicos, no campo em que o emissor informa como a operação foi liquidada (Tpag), soma R$ 3,3 trilhões transacionados entre empresas. São 148,8 milhões de pagamentos e R$ 2,17 trilhões no ano fechado de 2025, e 87,8 milhões de pagamentos e R$ 1,16 trilhão em 2026, até 15 de agosto. A metodologia completa, com os critérios de classificação e os limites da base, está no fim do capítulo.

Entre 2025 e 2026, o boleto bancário perdeu 4,17 pontos percentuais (p.p.) de participação nos pagamentos e 3,33 pontos do valor movimentado. A queda é consistente: aparece nas duas formas de medir ao mesmo tempo, o que afasta a hipótese de variação isolada em uma das métricas.

O espaço aberto por essa retração foi ocupado por dois métodos. O depósito bancário avançou 2,17 p.p. em participação nos pagamentos, o maior ganho da base, e o cartão de crédito corporativo, 1,15 ponto.
Nenhum dos dois é o método que costuma ser apontado como sucessor do boleto no B2B: a transferência bancária não ganhou frequência entre 2025 e 2026, e o Pix segue abaixo de 1% do valor movimentado entre empresas.

Os dois métodos que avançaram têm em comum o fato de crescerem em número de operações, não em tamanho. O ticket médio do depósito caiu 31,1% no período, e o do cartão de crédito, 23,8%.

O capítulo destrincha esse deslocamento em quatro camadas: o recuo do boleto, quem ocupou o espaço, o tamanho de cada pagamento e o comportamento de cada setor.

O boleto perde share nas duas métricas

O boleto bancário respondeu por 72,96% dos pagamentos e 70,42% do montante movimentado entre empresas no recorte de 2026, contra 77,13% e 73,74% em 2025, considerando o ano fechado. São 64,1 milhões de pagamentos e R$ 815,3 bilhões em sete meses e meio de 2026, depois de 114,8 milhões de pagamentos e R$ 1,601 trilhão em 2025.

A perda acontece nas duas réguas simultaneamente, frequência e valor. E acontece a partir de um patamar que dificilmente se descreve como ameaçado. Em 2026, o segundo método identificado mais usado da base é o depósito bancário, com 6,80% dos pagamentos, contra 72,96% do boleto.

O boleto é o principal método e  responde por 72,96% dos pagamentos em 2026.

O boleto recua de 73,74% para 70,42% do valor movimentado.

A transferência sobe de 9,71% para 11,90%.

Perder 4,17 pontos partindo de 77% é redistribuição de margem, não substituição. A leitura que os dados sustentam é de um método que cede espaço nas bordas e mantém o centro. As razões estruturais para isso já foram mapeadas no capítulo anterior deste estudo: o boleto formaliza e registra a cobrança, com padronização bancária e conciliação via DDA, enquanto os outros métodos apenas encerram a operação.

Para quem opera contas a pagar, a implicação prática é que a diversificação de métodos não reduz a carga de conferência de boleto no curto prazo. Ela acrescenta fluxos paralelos a um fluxo principal que continua majoritário.

“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. A transferência bancária é prática, mas não traz o mesmo nível de lastro documental. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um. Nos outros métodos, fica o registro bancário e contábil, mas não necessariamente esse vínculo documental."

-

O depósito bancário é quem mais cresce

O depósito bancário passou de 4,63% para 6,80% dos pagamentos entre 2025 e 2026, um avanço de 2,17 p.p., o maior de todos os métodos analisados. Em montante, o crescimento foi mais modesto: de 7,98% em 2025 para 8,95% em 2026, ou 0,96 ponto. São 5,9 milhões de pagamentos e R$ 103,6 bilhões no recorte de 2026.

O dado que muda a leitura está no ticket médio. Cada depósito valia, em média, R$ 25.174 em 2025. Em 2026, passou a valer R$ 17.353, uma queda de 31,1% e a maior variação de ticket registrada na base. O depósito passou a ser usado com mais frequência e em operações menores.

Em 2025, o depósito bancário se comportava como método de pagamento estruturado a depender da operação: usado poucas vezes, com valor alto em cada pagamento.

Em 2026, as duas pontas se movem. Em frequência, o depósito passou a ser usado mais vezes que a transferência bancária, invertendo a ordem que valia entre os dois em 2025.

Em valor, ele segue com o segundo maior ticket da base nos dois anos, atrás apenas da transferência. A mudança é de grau, não de natureza: o depósito não deixou de ser um método de valor alto, passou a ser também um método de uso corrente.

O depósito cai 31,1% e a transferência sobe 11,8%

O ticket médio de toda a base recua de R$ 14.593 para R$ 13.183.
“O depósito está sendo usado com mais frequência, mas em transações de menor valor. Olhando para os movimentos entre quantidade e valor, a gente vê um mercado buscando equacionar qual é a melhor maneira de usar cada meio de pagamento, o que é mais estratégico e o que faz mais sentido.”“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. A transferência bancária é prática, mas não traz o mesmo nível de lastro documental. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um. Nos outros métodos, fica o registro bancário e contábil, mas não necessariamente esse vínculo documental."

-

A transferência ganha valor, não uso

A transferência bancária manteve a frequência praticamente inalterada: 5,45% dos pagamentos em 2025 e 5,40% em 2026, uma variação de 0,06 p.p.. Em montante, subiu de 9,71% para 11,90% em 2026, um avanço de 2,19 p.p e o segundo maior da base em valor.

O ticket médio explica a diferença. Passou de R$ 25.990 para R$ 29.063, alta de 11,8%, e é o maior de todos os métodos nos dois anos. A transferência não está sendo usada mais vezes; está carregando mais dinheiro em cada uso.

O padrão confirma e aprofunda o que o capítulo anterior descreveu: a transferência é o método das operações contratuais e de maior porte. O que 2026 acrescenta é concentração: o mesmo número de operações, com valores individuais maiores.

O cartão corporativo já passa o Pix em uso

O cartão de crédito corporativo registrou 2,8 milhões de pagamentos em 2026, contra 1,7 milhão do Pix, 62% mais operações. Em share de pagamentos, o cartão foi de 2,13% para 3,28% (+1,15 ponto, o segundo maior avanço da rodada) e o Pix, de 1,50% para 2,03% (+0,52 ponto).

Em dinheiro, a ordem se inverte. O Pix movimentou R$ 8,97 bilhões no recorte de 2026 e o cartão de crédito, R$ 4,62 bilhões, quase a metade. Em share de montante de 2026, são 0,77% do Pix contra 0,40% do cartão. A explicação está no ticket de 2026: R$ 5.040 por pagamento no Pix e R$ 1.605 no cartão.

São, portanto, dois métodos que entram no contas a pagar por portas diferentes. O cartão entra pela frequência, em despesa pequena e recorrente. O Pix entra por liquidações de valor intermediário, mas ainda distante do porte que sustenta o boleto e a transferência. O cartão de crédito tem a maior distância entre frequência e valor de toda a base: 3,28% dos pagamentos e 0,40% do dinheiro.

Por que o Pix aparece tão pouco no campo de pagamento

O Pix é o método mais usado entre pessoas físicas no Brasil, e a leitura corrente é que essa adoção deveria se estender às transações entre empresas. Os dados da base não mostram isso: 2,03% dos pagamentos e 0,77% do valor movimentado em 2026, depois de 1,50% e 0,45% em 2025. O crescimento existe e é consistente, mas parte de um patamar baixo o suficiente para não deslocar o cenário.

Duas explicações concorrem para esse resultado, e elas não são excludentes.

“Em operações grandes, a escolha do método de pagamento não depende só de conveniência. Ela passa por conciliação contábil, políticas internas de aprovação, exigências de governança em setores regulados e integração com sistemas corporativos. São necessidades de infraestrutura e controle que o método, por si só, não resolve.”

-
“O dado registra o instrumento declarado na emissão da nota, e não necessariamente o trilho pelo qual o dinheiro saiu depois. Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados, o que ajuda a explicar a diferença entre a adoção que o mercado percebe e a participação que a gente mede aqui.”

-

O cartão corporativo já passa o Pix em uso

O cartão de crédito corporativo registrou 2,8 milhões de pagamentos em 2026, contra 1,7 milhão do Pix, 62% mais operações. Em share de pagamentos, o cartão foi de 2,13% para 3,28% (+1,15 ponto, o segundo maior avanço da rodada) e o Pix, de 1,50% para 2,03% (+0,52 ponto).

Em dinheiro, a ordem se inverte. O Pix movimentou R$ 8,97 bilhões no recorte de 2026 e o cartão de crédito, R$ 4,62 bilhões, quase a metade. Em share de montante de 2026, são 0,77% do Pix contra 0,40% do cartão. A explicação está no ticket de 2026: R$ 5.040 por pagamento no Pix e R$ 1.605 no cartão.

São, portanto, dois métodos que entram no contas a pagar por portas diferentes. O cartão entra pela frequência, em despesa pequena e recorrente. O Pix entra por liquidações de valor intermediário, mas ainda distante do porte que sustenta o boleto e a transferência. O cartão de crédito tem a maior distância entre frequência e valor de toda a base: 3,28% dos pagamentos e 0,40% do dinheiro.

Por que o Pix aparece tão pouco no campo de pagamento

O Pix é o método mais usado entre pessoas físicas no Brasil, e a leitura corrente é que essa adoção deveria se estender às transações entre empresas. Os dados da base não mostram isso: 2,03% dos pagamentos e 0,77% do valor movimentado em 2026, depois de 1,50% e 0,45% em 2025. O crescimento existe e é consistente, mas parte de um patamar baixo o suficiente para não deslocar o cenário.

Duas explicações concorrem para esse resultado, e elas não são excludentes.

“Em operações grandes, a escolha do método de pagamento não depende só de conveniência. Ela passa por conciliação contábil, políticas internas de aprovação, exigências de governança em setores regulados e integração com sistemas corporativos. São necessidades de infraestrutura e controle que o método, por si só, não resolve.”

-
“O dado registra o instrumento declarado na emissão da nota, e não necessariamente o trilho pelo qual o dinheiro saiu depois. Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados, o que ajuda a explicar a diferença entre a adoção que o mercado percebe e a participação que a gente mede aqui.”

-

O ticket médio dos pagamentos encolheu

O pagamento médio entre empresas na base passou de R$ 14.593 em 2025 para R$ 13.183 no recorte de 2026, uma queda de 9,7%. E a queda não é fenômeno de um método só: aparece em cinco dos sete métodos analisados. Sobem apenas a transferência (+11,8%) e o Pix (+14,8%).

Frequência e ticket respondem a perguntas diferentes, e é por isso que o capítulo mede os dois. A frequência mostra quantas vezes cada meio de pagamento é utilizado. O ticket mostra quanto cada operação movimenta, em média.

Entre 2025 e 2026, os dois indicadores revelam perfis distintos de uso. O depósito bancário ganhou espaço em número de pagamentos, mas com valores menores por operação. Já a transferência manteve participação semelhante em frequência e aumentou seu ticket médio, movimentando mais valor a cada pagamento.

O boleto é o caso que mais importa nesse quadro. O método não perdeu apenas participação: também encolheu de tamanho, com ticket médio caindo 8,8%, de R$ 13.952 em 2025 para R$ 12.724 em 2026. Parte do que parecia migração para outros métodos é, portanto, operação menor dentro do próprio boleto.

Há uma diferença de recorte importante nesta comparação. Os dados de 2026 cobrem sete meses e meio e ainda não incluem o quarto trimestre, período relevante para o volume de operações do ano. Por isso, a comparação com os 12 meses de 2025 pode refletir tanto movimentos de tendência quanto efeitos de sazonalidade.

Para o contas a pagar, a implicação é operacional antes de ser financeira: mais pagamentos para o mesmo volume de dinheiro significa mais documentos para conferir, mais lançamentos para conciliar e mais pontos onde um erro pode entrar.

Por setor, o boleto lidera em todos

O boleto foi o método com maior participação em montante nos doze setores analisados em 2025, com uma amplitude que vai de 85,00% em Saúde e Farmacêutico a 41,71% no Setor Público. Em frequência, a liderança se repete nos doze, de 82,12% no Varejo a 34,12% no Setor Público

O boleto lidera nos dez setores analisados: de 85,00% em Saúde e Farmacêutico a 41,71% no Setor Público.

A liderança se repete em 2026, nas duas métricas: em montante, o boleto vai de 81,97% em Saúde e Farmacêutico a 51,16% no Agronegócio; em frequência, de 77,76% no Varejo a 34,23% no Setor Público.
A liderança geral, porém, esconde arquiteturas de pagamento bem diferentes.

Serviços é o setor em que a transferência bancária vai mais longe: 31,16% do montante em 2025, quase um terço do valor pago, contra 50,77% do boleto. Nenhum outro setor passa de 25%.

Setor Público tem a maior participação de depósito bancário da base, 24,19% em 2025, e é também o setor em que o boleto tem a menor participação. Energia é o outro setor acima de 20% em depósito e o mais distribuído da base: em 2025, 49,02% em boleto, 23,44% em transferência e 21,88% em depósito.

Do outro lado, Varejo e Saúde e Farmacêutico concentram: 78,93% e 85,00% do montante em boleto, respectivamente.

A surpresa fora do eixo

O maior ticket de todos os cruzamentos de setor e método está na transferência em Energia: R$ 308.067 por operação em 2025, cerca de doze vezes o ticket médio da transferência no agregado do ano, que foi de R$ 25.990. No mesmo setor, o depósito tem o segundo maior, R$ 240.477. Os dois primeiros lugares seguem com Energia em 2026: R$ 264.216 na transferência e R$ 170.744 no depósito. 

É o retrato de um setor que movimenta somas altíssimas por operação. O Varejo é o oposto: concentra 65,1% dos pagamentos de 2025, com ticket de boleto em R$ 12.563.

O contraponto está em Saúde e Farmacêutico, onde a transferência tem ticket menor que o boleto: R$ 7.612 contra R$ 10.641 em 2025. E não é caso isolado. O mesmo acontece no Setor Público, R$ 25.140 contra R$ 32.821, e em Tecnologia, R$ 24.803 contra R$ 49.044.

O contraponto está nos setores em que essa ordem se desfaz. Na base inteira, o ticket da transferência é quase o dobro do ticket do boleto: R$ 25.990 contra R$ 13.953 em 2025. Em três setores, acontece o oposto.

Em Saúde e Farmacêutico, a transferência vale R$ 7.612 por operação e o boleto, R$ 10.641. No Setor Público, são R$ 25.140 contra R$ 32.821. Em Tecnologia, R$ 24.803 contra R$ 49.044.

Nesses três, é o boleto que carrega a operação grande, e a transferência fica com as menores. Uma leitura possível é que a transferência ocupe ali o espaço do pagamento fora do ciclo contratual, papel que em outros setores aparece no Pix ou no cartão. O capítulo não tem como confirmar: o campo registra o instrumento acordado, não o motivo do pagamento.

Em 2026, Saúde e Setor Público mantêm o mesmo desenho. Tecnologia sai dele. O ticket da transferência no setor salta de R$ 24.803 para R$ 68.678, quase o triplo, e passa a valer o dobro do ticket do boleto ali, que é de R$ 37.036. Em um ano, o método trocou de função no setor. Vale a ressalva de escala: são 11.093 transferências em Tecnologia no recorte de 2026, um volume em que poucos contratos grandes deslocam a média sozinhos.

O alerta crítico

Saúde e Farmacêutico é o setor com maior concentração em um único método: 85,00% do montante em boleto em 2025, e mesmo em 2026, depois de perder 3,0 pontos, ainda fica em 82,0%. Concentração dessa ordem reduz a margem de manobra do contas a pagar quando algo falha no fluxo principal.

“Uma leitura mais compatível é a de complexidade operacional: cadeias com muitos fornecedores, compras reguladas e alta exigência documental tendem a favorecer um método que já oferece registro formal e conciliação padronizada. A diversificação pode acontecer, mas exige reconstruir controles que hoje estão muito apoiados no boleto.”“O dado registra o instrumento declarado na emissão da nota, e não necessariamente o trilho pelo qual o dinheiro saiu depois. Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados, o que ajuda a explicar a diferença entre a adoção que o mercado percebe e a participação que a gente mede aqui.”

-

O movimento setorial em 2026

Boleto cresce em sete dos doze setores e recua em cinco

Onde o boleto recuou

  • Tecnologia registrou a maior retração, 9,0 p.p., de 74,38% para 65,39%, com a transferência subindo 3,8 pontos, para 10,11%. 
  • Educação vem logo atrás, com 8,7 pontos, de 61,15% para 52,45%. 
  • Varejo perdeu 5,7 pontos, de 78,93% para 73,18%, distribuídos entre transferência (+2,2 pontos, para 10,24%) e depósito (+1,9 ponto, para 8,47%). 
  • Saúde e Farmacêutico perdeu 3,0 pontos, para 81,97%, com o depósito ganhando 2,0.
  • E Infraestrutura recuou 0,6 ponto, para 75,79%.

Onde o boleto avançou

  • Setor Público teve o maior movimento de todo o recorte setorial, +11,4 pontos, de 41,71% para 53,11%, com o depósito cedendo 1,0 ponto.  
  • Energia ganhou 9,5 pontos, de 49,02% para 58,57%, com transferência e depósito recuando juntos, 5,5 e 5,3 pontos. Depois deles, cinco altas menores: 
  • Entretenimento e Mídia (+2,5 pontos, para 62,94%), 
  • Serviços (+1,6, para 52,36%, com a transferência em 32,71%), 
  • Indústria (+1,3, para 69,86%, com a transferência em 11,23%)
  • Agronegócio (+0,3, para 51,16%, com a transferência ganhando 3,1 pontos e chegando a 21,37%).

Em frequência, o desenho é outro: o boleto recuou em oito dos doze setores, e a maior queda é de Serviços, com 7,2 pontos, de 53,25% para 46,06%. A única alta relevante é a de Energia, 3,4 pontos, de 67,43% para 70,88%.

O que esse conjunto sugere é que a escolha do método responde à arquitetura de compra de cada setor, e não a uma tendência única de mercado. Um movimento que acompanha análise de compra, venda e transporte dos outros capítulos do Panorama do Contas a Pagar.

Meios de pagamento e Reforma Tributária: a visão dos especialistas de mercado

Os dados deste capítulo descrevem escolhas feitas sob as regras atuais. A partir de 2027, a liquidação de um pagamento passa a carregar também o recolhimento tributário, no mecanismo de split payment. A hipótese que circula no mercado é que isso pode deslocar a escolha do meio de pagamento de uma decisão operacional para uma decisão fiscal.

“A gente acompanha muito as discussões envolvendo a Reforma em fóruns e times fiscais, porque existe muito de legislação. Mas acho que ainda não nos demos conta, como sociedade, do impacto financeiro do Split Payment e de como ele vai impactar a relação entre as empresas.”

- Rafael Pacheco, Especialista em Soluções da Qive

Se essa leitura se confirmar, dois dos movimentos observados aqui mudam de significado. O cartão corporativo, que hoje cresce em despesa pequena, e o Pix, que cresce devagar, passariam a ser avaliados também por como se encaixam no fluxo de recolhimento, e não apenas por prazo e conveniência.

Nada disso está medido nesta base, e o capítulo não tem evidência para afirmar direção.

“Agora, o próprio pagamento passa a ter um papel cada vez mais relevante nessa mecânica. O próprio dispêndio financeiro passa a estar diretamente conectado ao recolhimento do imposto e à forma como essas movimentações acontecem. A área que antes era totalmente reativa — ‘recebe uma ordem de pagamento e paga’ — passa a ter uma atuação muito mais proativa. O que eu vou pagar? Como eu vou pagar? Por meio de qual instrumento? Boleto, Pix, cartão? Como faço isso buscando a melhor vantagem competitiva e olhando para o meu resultado?”

- Rafael Pacheco, Especialista em Soluções da Qi

O que isso muda na decisão executiva

Para CFOs, controllers e heads de contas a pagar, e para as áreas de tesouraria e compras, três movimentos se desenham a partir destes dados:

  • Mapear o fluxo de compras ao pagamento e revisar as regras que governam cada etapa. Mais importante do que saber qual método é usado é entender como uma obrigação chega até o pagamento. O que foi acordado com o fornecedor antes da emissão? Há valor mínimo ou máximo? Como a nota entra na empresa, quem confere documento, fornecedor, valores e dados bancários e quais critérios determinam sua aprovação? Mudanças no mix e no perfil dos pagamentos tornam esse diagnóstico ainda mais relevante. Revisar alçadas, validações e responsabilidades ao longo de todo o fluxo ajuda a identificar etapas sem controle ou regras que já não acompanham a operação atual.
  • Identificar onde as exceções estão escapando do fluxo previsto. Uma operação pode ter regras bem definidas e ainda perder controle nas exceções: alteração de dados do fornecedor, mudança de valor ou vencimento, pagamento fora do processo padrão, aprovação manual, divergência entre pedido e nota ou necessidade de refazer uma transação. O capítulo não mede a ocorrência desses casos dentro das empresas, mas os dados reforçam a importância de olhar além das operações de maior valor. A pergunta interna é quantas exceções existem, por que acontecem e quais delas já deixaram de ser pontuais para se tornar parte da rotina.
  • Garantir rastreabilidade entre o que foi comprado, faturado, aprovado e efetivamente pago. O instrumento declarado na nota descreve a cobrança acordada na emissão, mas não necessariamente como a transação foi liquidada. Essa diferença evidencia uma questão maior: a empresa consegue acompanhar uma obrigação desde sua origem até a saída do dinheiro? Pedido, fornecedor, documento fiscal, aprovação e pagamento precisam permanecer conectados, inclusive quando há alterações no caminho. Quanto maior essa rastreabilidade, mais fácil é conciliar divergências, identificar pagamentos fora do previsto e levar informações confiáveis ao ERP e à apuração. Com as mudanças trazidas pela Reforma Tributária, essa conexão entre documento fiscal e liquidação financeira passa a ser ainda mais relevante.

Em um cenário em que o método de pagamento se pulveriza e o ticket médio encolhe, o contas a pagar deixa de ser apenas o time que liquida despesa e passa a ser o time que enxerga a estrutura de custo da operação, avaliam especialistas da Qive.

Conclusão: o boleto recua sem perder o centro

Em 236,6 milhões de pagamentos e R$ 3,3 trilhões movimentados em 2025 e em 2026 até 15 de agosto, o retrato é de um sistema que se move sem trocar de eixo. O boleto recuou 4,17 pontos percentuais dos pagamentos e 3,33 pontos do montante entre 2025 e 2026, e ainda assim responde por 72,96% das operações e 70,42% do dinheiro em 2026. O que mudou não foi o centro, foi a borda. Entre 2025 e 2026, o depósito bancário ganhou 2,17 pontos de frequência e perdeu 31,1% de ticket, a transferência ficou parada em frequência e ganhou 2,19 pontos de montante, e o cartão de crédito corporativo passou o Pix em número de operações. Por trás dos três, o pagamento médio da base encolheu 9,7%, de R$ 14.593 em 2025 para R$ 13.183 em 2026.

Os outros capítulos do Panorama do Contas a Pagar ajudam a situar esse movimento. Cada um é um estudo independente, com base e período próprios.

O capítulo Como as empresas pagam no Brasil: o prazo e o crédito como infraestrutura dos pagamentos B2B analisou 500,3 milhões de notas fiscais e R$ 5,88 trilhões entre 2023 e 2025. A conclusão central foi que pagar a prazo não é exceção, é parte da infraestrutura da economia real, com 76,8% das notas tendo algum prazo e R$ 4,07 trilhões movimentados a prazo. Se o prazo é a infraestrutura, o método é o encanamento: este capítulo mostra por onde esse dinheiro efetivamente sai.

Em O que as empresas compram no Brasil, a Qive analisou R$ 1,607 trilhão em transações, 2,67 milhões de CNPJs raiz e 183,1 milhões de notas fiscais em 2025. A conclusão foi que antes da produção existe abastecimento, e que cada setor opera com uma lógica própria de compra. É a mesma lógica que reaparece aqui: a arquitetura de pagamento de um setor se parece com a arquitetura de compra dele.

E o capítulo sobre adequação à Reforma Tributária, com 104,4 milhões de notas fiscais emitidas entre 1º de janeiro e 15 de março de 2026, concluiu que no Brasil, quem se adequa primeiro é quem tem obrigatoriedade — adequação total de 78,5% em NFe no Regime Normal, contra 16,3% em NFSe. É o capítulo que baliza a leitura prospectiva deste: a transição não chega igual para todos, e o meio de pagamento tende a entrar nessa fila.

De volta ao mix de pagamentos. A migração dos métodos B2B no Brasil continua sendo um processo de anos, não de trimestres. O que os dados de 2026 acrescentam é que ela não vai acontecer pela porta que o mercado observava. Enquanto se discutia Pix no B2C, o espaço perdido pelo boleto foi ocupado por depósito e cartão corporativo, dois métodos que crescem em frequência e não em valor. A consequência é contraintuitiva: o contas a pagar não fica mais simples com a diversificação. Fica mais fragmentado.

E é sobre uma operação mais fragmentada que a Reforma Tributária vai chegar, a partir de 2027, com o recolhimento acoplado à liquidação. A diferença entre entrar nesse cenário entendendo seus processos de pagamento de ponta a ponta e descobri-lo depois não se mede em agilidade: mede-se em imposto corretamente apurado e em pagamento conferido antes de sair.

Metodologia e notas metodológicas

Este capítulo analisa os pagamentos declarados nos documentos fiscais eletrônicos emitidos entre empresas, no campo em que o emissor informa como a operação foi liquidada. A base é composta por:

  • 2025, ano fechado: 148.787.182 pagamentos e R$ 2,17 trilhões
  • 2026, de 1º de janeiro a 15 de agosto: 87.829.138 pagamentos e R$ 1,16 trilhão

O estudo olha os pagamentos por quatro camadas: quais métodos as empresas usam, quanto dinheiro passa por cada um, qual é o tamanho de cada pagamento e como cada setor se comporta.

Como medimos o uso de cada método

A partir da identificação do Tpag de cada nota de pagamento, considerando o share de métodos. Sete métodos compõem o universo analisado: boleto bancário, transferência bancária, depósito bancário, Pix, cartão de crédito, cartão de débito e uma categoria residual, tratada nos gráficos como "outros métodos".

O que o campo registra, e o que ele não registra. A informação é declarada na emissão do documento e descreve o instrumento de cobrança acordado.

Notas metodológicas. A base reflete um recorte analisado,, não uma amostra estatística nacional. O recorte de 2026 vai até 15 de agosto e não inclui o quarto trimestre, período historicamente de maior movimentação. Comparações entre 2025 e 2026 indicam tendência. O recorte setorial cobre dez setores em cada métrica.

Perguntas frequentes sobre pagamento B2B

O Pix já substituiu o boleto nos pagamentos entre empresas?

Não. Em 2026, o Pix responde por 2,03% dos pagamentos e 0,77% do valor movimentado no B2B, contra 72,96% e 70,42% do boleto. O crescimento é consistente, mas parte de uma base baixa demais para alterar o cenário no curto prazo. Vale uma ressalva de leitura: o campo analisado registra o instrumento declarado na emissão da nota, e um boleto liquidado depois via Pix permanece registrado como boleto. Uma hipótese é que parte do uso corporativo do Pix pode estar contabilizada dentro do boleto, mas não podemos afirmar com os dados da nota.

Por que o cartão corporativo tem mais pagamentos que o Pix e movimenta menos dinheiro?

Porque os tickets são muito diferentes. Em 2026, o cartão de crédito registrou 2.880.449 pagamentos com ticket médio de R$ 1.605, e o Pix 1.780.109 pagamentos com ticket de R$ 5.040. O cartão entra no contas a pagar pela despesa pequena e recorrente; o Pix, por liquidações de valor um pouco maior.

Qual é o ticket médio de cada meio de pagamento no B2B?

No recorte de 2026: transferência bancária R$ 29.063, depósito bancário R$ 17.353, boleto R$ 12.724, Pix R$ 5.040, cartão de crédito R$ 1.605 e cartão de débito R$ 997. A transferência tem o maior ticket da base nos dois anos analisados.

Como os meios de pagamento B2B mudaram desde 2023?

O que já se sabe: entre 2025 e 2026 o boleto recuou 4,17 p.p. em pagamentos e 3,33 em montante, e o depósito bancário foi quem mais avançou.

O que muda nos meios de pagamento com a Reforma Tributária?

A hipótese registrada é que a entrada do split payment a partir de 2027 pode passar a influenciar a escolha do meio de pagamento por razão fiscal, e não apenas operacional.

Quer entender como esses padrões aparecem no seu contas a pagar? Fale com um especialista da Qive.

Sobre a Qive

Empresa responsável pela análise de dados, gestão do banco de dados e proprietária do Panorama do Contas a Pagar.Há 12 anos a Qive processa documentos fiscais e financeiros no fluxo do contas a pagar das empresas brasileiras, e é essa posição que torna o Panorama possível: os dados que sustentam o estudo não foram coletados para produzi-lo, eles já passam pela plataforma porque a operação das empresas passa por ela. São mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais já gerenciados, na maior base de dados fiscais e de pagamentos do país, incluindo duplicatas.

A Qive redefine o contas a pagar ao transformar um processo historicamente manual, operacional e disperso em uma estrutura conectada, automatizada e estratégica. Plataforma líder do contas a pagar, integra e automatiza, em um único fluxo conectado ao ERP, a gestão de pagamentos, fornecedores e documentos financeiros e fiscais, com inteligência analítica, segurança e escalabilidade. Atende mais de 210 mil CNPJs, entre eles Grupo Casas Bahia, Faber-Castell, Bayer e Kraft Heinz.

Converse com a Qive

Explore outros capítulos

CAPÍTULO 1 · PAGAMENTOS
Publicado

Como as empresas pagam no Brasil: o prazo e o crédito como infraestrutura dos pagamentos B2B

Pagamentos à vista são exceção. O crédito comercial funciona como infraestrutura invisível das relações entre empresas.

R$5,88tri

em valor financeiro processado

Ler capítulo →
CAPÍTULO 2 · Reforma Tributária
Publicado

Reforma Tributária: a adequação das empresas brasileiras aos novos tributos CBS e IBS

Quem for além do mínimo agora chega a 2027 com vantagem competitiva — 7 recomendações práticas para a decisão executiva.

104,4mi

de notas fiscais analisadas (jan–mar/2026)

Ler capítulo →
CAPÍTULO 3 · compras
Publicado

O que e como as empresas compram no Brasil?

Mercado concentrado em poucas categorias de produto, mas com ampla variação na lógica de abastecimento por setor.

R$1,6tri

em compras corporativas · 2,67 mi de empresas

Ler capítulo →
CAPÍTULO 4 · LOGÍSTICA
Publicado

Como as empresas transportam mercadorias no Brasil

Uma logística que já gravita em torno do consumo, concentrada no cinturão de distribuição de São Paulo.Mercado concentrado em poucas categorias de produto, mas com ampla variação na lógica de abastecimento por setor.

194,2mi

CTes analisados · R$211 bi em fretes

Ler capítulo →